H, o protagonista de Manual de pintura e caligrafia, na sua profunda reflexão sobre a criação artística tenta atingir uma dimensão mais autêntica da sua condição de pintor através de uma procura que o leva a questionar também a sua existência e a descobrir um diferente meio expressivo: a escrita. Sendo assim, o pintor-narrador tenta alcançar a essência da verdadeira arte e, ao mesmo tempo, pelo caminho da escrita, um novo e mais profundo conhecimento de si mesmo para que possa libertar e revelar o seu eu artístico. Nesta perspetiva, o presente artigo propõe uma leitura do “ensaio de romance” saramaguiano a partir da evocação do mito de Pigmalião de Ovídio; no caso do protagonista de Manual de pintura e caligrafia, tal como no do escultor ovidiano, manifestar-se-ia aquele mistério vivo da criação, «ars adeo latet arte sua» (Metamorfoses, X, 252), de que parece derivar a caligrafia que marca o lugar de José Saramago na literatura portuguesa e universal.

H, the protagonist of Manual de pintura e caligrafia, in his deep reflection on artistic creation, tries to reach a more authentic dimension of his artistic capacity through a quest that leads him to interrogate his existence and to discover a different expressive medium: writing. In this way, the painter-narrator tries to reach the essence of true art and, at the same time, through writing, a new and deeper knowledge of himself so that he can reveal his own artistic self. From this perspective, this paper proposes a reading of Saramago’s novel based on the evocation of Ovid's myth of Pygmalion; in the protagonist of Manual de pintura e caligrafia’s case, just as in that of the Ovidian sculptor, would be manifested that living mystery of creation, «ars adeo latet arte sua» (Metamorphoses, X, 252) from which the calligraphy that marks José Saramago's place in Portuguese and universal literature seems to derive.

De Crescenzo, L. (2025). «Quem retrata, a si mesmo retrata»: a metamorfose da arte e da existência em Manual de Pintura e Caligrafia. In Giorgio de Marchis (a cura di), Os Outros (d)e José Saramago (pp. 311-323). Roma : RomaTre-Press [10.13134/979-12-5977-563-4/22].

«Quem retrata, a si mesmo retrata»: a metamorfose da arte e da existência em Manual de Pintura e Caligrafia

Luigia De Crescenzo
2025-01-01

Abstract

H, the protagonist of Manual de pintura e caligrafia, in his deep reflection on artistic creation, tries to reach a more authentic dimension of his artistic capacity through a quest that leads him to interrogate his existence and to discover a different expressive medium: writing. In this way, the painter-narrator tries to reach the essence of true art and, at the same time, through writing, a new and deeper knowledge of himself so that he can reveal his own artistic self. From this perspective, this paper proposes a reading of Saramago’s novel based on the evocation of Ovid's myth of Pygmalion; in the protagonist of Manual de pintura e caligrafia’s case, just as in that of the Ovidian sculptor, would be manifested that living mystery of creation, «ars adeo latet arte sua» (Metamorphoses, X, 252) from which the calligraphy that marks José Saramago's place in Portuguese and universal literature seems to derive.
2025
979-12-5977-563-4
H, o protagonista de Manual de pintura e caligrafia, na sua profunda reflexão sobre a criação artística tenta atingir uma dimensão mais autêntica da sua condição de pintor através de uma procura que o leva a questionar também a sua existência e a descobrir um diferente meio expressivo: a escrita. Sendo assim, o pintor-narrador tenta alcançar a essência da verdadeira arte e, ao mesmo tempo, pelo caminho da escrita, um novo e mais profundo conhecimento de si mesmo para que possa libertar e revelar o seu eu artístico. Nesta perspetiva, o presente artigo propõe uma leitura do “ensaio de romance” saramaguiano a partir da evocação do mito de Pigmalião de Ovídio; no caso do protagonista de Manual de pintura e caligrafia, tal como no do escultor ovidiano, manifestar-se-ia aquele mistério vivo da criação, «ars adeo latet arte sua» (Metamorfoses, X, 252), de que parece derivar a caligrafia que marca o lugar de José Saramago na literatura portuguesa e universal.
De Crescenzo, L. (2025). «Quem retrata, a si mesmo retrata»: a metamorfose da arte e da existência em Manual de Pintura e Caligrafia. In Giorgio de Marchis (a cura di), Os Outros (d)e José Saramago (pp. 311-323). Roma : RomaTre-Press [10.13134/979-12-5977-563-4/22].
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